domingo, 14 de setembro de 2008

As verdadeiras estórias

Este fim de semana tive o prazer de reencontrar um velho amigo, e reescrever uma estória que eu achava que era de uma maneira, mas não era.
Uma lição de humildade ao contar estórias.
Lapo Coutinho, que esta no Rio julgando o WCT feminino, é um amigo do tempo em que fui pra Salvador ensinar aos surfistas de lá como fazer pranchas.
A estória que sempre contei, é que a Reforplás, loja que nos vendia material nos anos 70, queria incrementar as vendas de material na Bahia, e me convenceram a passar uma temporada em Salvador, ensinando a garotada a fazer pranchas.
Eu fui com meu laminador numa brasilia amarela, montar uma oficina no Rio Vermelho.
Conhecemos uma galera maravilhosa, Lapo, Bráulio, Juarez, Lulinha e um monte de gente que não me lembro mais dos nomes.
Foi o máximo, apesar de chover todo o tempo (sempre que fui a Salvador pegar ondas, choveu o tempo todo!).
Fiquei apaixonado por Salvador, pelos baianos e pelas baianas também. A cozinha, tudo.
Pensei sériamente em morar lá, mas na época meu negócio no Rio estava bombando e lá não teria estrutura.
Ficou até hoje uma promessa pra mim mesmo de passar um tempo em Salvador.
bom, o que importa é que eu sempre achei que fomos a primeira oficina de pranchas organizada em Salvador, que iniciamos a produção de lá, etc, mas Lapo me mostrou que antes disto, já havia lá uma fábrica, que inclusive expandia seus blocos, e que depois, por falta de mercado, se mudou pro Rio ,onde virou a JL, que nós chamávamos de os BAIANOS.
Jorge, Almir e o pai já faziam pranchas lá anos antes de eu e joão aportarmos, então, peço descupas a todos que contei a estória errada.
Nos papos maravilhosos que tivemos, eu , Lapo e Flávio Dias, lembrei de outra estória que sempre contei errada.
quando a Brasil Surf ia ser lançada, eu estava indo embora do Brasil.
O Ricardo Bravo veio me entrevistar para o que seria a primeira entrevista da Revista.
Fui embora sem ver, voltei 5 anos depois, nunca vi a revista em vida, e sempre contei que sai na primeira Brasil Surf.
Anos depois é que descobri que quem saiu foi o Rico. Outra estória mal contada.
Moral da estória. Muitas vezes a gente acha que sabe como as coisas aconteceram, mas só tem uma visão parcial. É confrontando com as estórias dos outros, que descobrimos como a coisa se passou de verdade.
É com este espírito que nós estamos tentando fazer este projeto, contar as estórias como elas realmente foram. E preciso da ajuda de todos.

4 comentários:

Tito Rosemberg disse...

Parabéns compadre! Sua atitude em reconhecer a falha é digna da sua trajetória iluminada. Eu, agora nos 62, vez por outra me descubro contando histórias e sem querer mudando um pouco as coisas como realmente foram. Mas eu chamo isso de licença poética, já que tenho a mais absoluta certeza de que nada na vida realmente foi o que pensamos que foi. Tudo é uma questão de interpretação, e precisamos de um bom distanciamento para poder analizar os fatos. Bravo!

Eduardo Borgerth Teixeira disse...

é isso mesmo Tito; Acredito que a primeira loja de surf do Brasil foi uma em frente a minha casa no posto 2 e meio na Av copacabana. Chamava-se Surf simplemente Surf e o logo era uma bola laranja apenas;nela eram vendidas pranchas importadas de fibra,madeirites e os pingüim que é como eu conheço o Skin Board. Isso ocorreu entre 1965 á 68...em 69 meu pai me comprou ma Cyro e em 70 estava na garagem do parreiras encomendando minha primeira prancha Custom model. Se não me engano o Magno veio em 71/ 72...mas aquela aloja ( era bacana) na Av. Copacabana nunca ouvi ninguém falar dela...era espetacular

Dimitrios disse...

Grande Kaneca,

Acabei de receber seu blog pelo Carlão outro icone do surf baiano e fiquei muito feliz de reencontrá-lo tambem. Meu surf foi formado pelas suas pranchas e fui seu representante na Bahia, onde vendemos a Ilios surfboard durante muito tempo, até a sua saida do Brasil. tenho até hoje um exemplar de suas pranchas com a qual surfei na prainha numa surf session com Simon Anderson, Shaun Tompson, PT, Ian cairns num daqueles waimeia 5000.
Já vi muitas lendas e amigos aqui no seu blog e estou lendo todas essas estorias e revivendo aqueles dias magicos
Forte abraço
Dimitrios (dlevendakos@gmail.com)

kaneca disse...

rapaz, que emoção. Só isto ja vale fazer o blog, reencontrar pessoas como vc! Me mande fotos desta prancha,eu não tenho nenhuma fot das ILIOS.
Abração