quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Picuruta- o maior de todos!

Tem gente que reclama que eu não posto lendas de São Paulo, não é implicância, é falta conhecimento mesmo.
Tentei várias pessoas pra me ajudar mas não consegui, então, por total falta minha, deixei SP de lado, até porque reconheço sua importância no cenário e não queria fazer uma coisa ruim.
Atenção paulistas, eu sou dos que defendem Santos como o local do início do surf no Brasil!
Agora, o Gato não dá pra deixar pra mais tarde, ele acaba de ganhar o título brasileiro profissional pela 10 vez, é sem a menor dúvida o maior competidor que já existiu no Brasil.
Ele tirou do Cauli o domínio dos campeonatos de surf no Brasil na década de 80, dominou esta arena por mais de 10 anos consecutivos, e ainda hoje, aos 50 anos, continua dando trabalho em todas as categorias em que entra, inclusive Stand up, que ganhou também agora no Rio.
É um surfista fenomenal, que ainda ganha do filho, de 20 poucos anos.
Parabéns Gato!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Festival do Arpoador







O Festival Lendas do Arpoador foi um evento épico, a coisa mais importante para a memória do surf carioca já realizado.
A repercussão foi tão grande, que nem me preocupei em escrever sobre ele, até porque fui pra Bahia no dia seguinte, e não tinha computador.
agora, com a poeira assentada e o coração mais calmo, vamos a ele.
Primeiro, quero parabenizar o Wady e o Sabbá, eles fizeram coisas impossíveis e o Festival foi de primeira, nada podia ser melhor, nem mesmo as ondas, que iriam atrapalhar.
Quando primeiro pensei nesta homenagem, eu imaginava um jantar, mas o campeonato sem ondas foi a fórmula perfeita para que as novas gerações, presentes no Arpoador pro
campeonato, conhecessem as lendas, e como disse a Fernanda, quando a gente vier pegar ondas aqui, deixem a gente surfar, porque não somos haoles.
Foi muito emocionante ver pessoas como Arduíno, Mário Bração, Penho, Maraca, Mudinho, Tito, com água nos olhos.

A coisa que mais me impressionou foi a lista dos inscritos no primeiro clube de surf do Arpoador, acho que se vamos listar as Lendas do Arpoador, esta é a lista.
São 80 nomes, dos quais eu consigo distinguir poucos, mas com a ajuda de todos, vamos resgatar estes nomes:


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Lendas do Rio-Campeonatos de surf dos anos 60


Está se aproximando o Campeonato Lendas do Wady, e me lembrei dos campeonatos dos anos 60.Tem um monte de gente que foi esquecida, gostaria de lembrar de todos, mas não vai dar.
Os caras se dividiam em times formados por representantes de várias categorias, senior, junior, feminino.
Era uma coisa gozada, os times eram formados por pessoas que competiam entre si, não havia nenhum trabalho de equipe, depois os pontos de cada um era somado e o time com mais pontos vencia.
Não sei quem inventou isto.
Eles competiram poucas vezes, mas deixaram uma marca.
Tinha o Cross over, o Pipeline, o Clube da Barra, O Kawabanga Surf Team.
Kawabanga era formado pelo Edgard Gordilho, Marquinho Garcia, Maraca, Tito Rosemberg e Heliana , irmã do Edgard.
O Pipeline era o Mário Bração, Persegue e não sei quem mais.
Tinha também o time do Alexandre Bastos, que era imbatível nas ondas pequenas.

O Crossover foi o mais poderoso surf team carioca, formado por estrelas como Betinho Lustosa, Piui e Marcelo Rabelo.
Foi uma boa brincadeira, mas na verdade competiram pouquíssimas vezes.
Clássico de uma época muito gostosa.
Até hoje me lembro da camiseta do Crossover, uma faixa com várias ondinhas.



Nas fotos, Regulamento do Campeonato de 1966, Geraldo e Russel, Alexandre Bastos, Cross Over (Betinho, Piui e Marcelo)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Lendas do Rio- Yllen Kerr



Que eu saiba, Yllen nunca pegou onda, mas foi muito importante para o surf ser aceito e respeitado pela sociedade.
Yllen era jornalista do Jornal do Brasil, escrevia sobre caça submarina e os primeiros surfistas do Arpoador eram mergulhadores.
Em 15/06/1965 foi fundada a Federação Carioca de Surf no Esporte Clube Radar, com o Iate Clube e o Clube Universitário.
Yllen foi o primeiro presidente, e a diretoria incluia Alberto Gamballe, Arduíno Colassanti, Armando Serra e Irencir Beltrão.
O Alberto foi o responsável pelo 1o Concurso de Surf do Rio, na Macumba.
Como jornalista, Yllen sempre cobriu esportes como caça submarina, motociclismo, corrida e triatlon.
Organizou o primeiro campeonato de vôo livre, junto com o Barriga.
Ele participou na elaboração das regras dos primeiros campeonatos de surf e da liberação do surf no Arpoador.

Pra quem não se lembra, o surf só era permitido após as 14hs, os salva vidas tiravam a gente dágua e apreendiam as pranchas.

Walter Guerra, pai da Fernanda, era o vice presidente da Federação, e conseguiu uma área no Arpoador, 200 m da pedra em direção ao Leblon, com horário livre pra surfar o dia inteiro.
A foto de cima mostra a assinatura do decreto. foi a primeira conquista do surf no Rio.
Além de jornalista, Yllen foi artista plástico e gravador renomado.
Era pai do Fabio Kerr, grande surfista até hoje, em cuja prancha eu aprendi a ficar em pé.
Depois do surf a gente ia na casa do Yllen, um apartamento perto do Arpoador, e se deliciava com pilhas de revistas playboy espalhadas pelos cantos, delícia de qq garoto de 16 anos.

Nas foto de cima, está Walter Guerra ao lado do Gov. Negrão de Lima, Yllen é o de bigode.
Na de baixo, Yllen, Maria Helena, Fernanda, João Cristóvão e Serra com o Negrão de Lima.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lendas do Sul-André Johannpeter





OS EVENTOS DA GURIZADA

O veraneio se resumia em surfar e se preparar para o surf.


O surf cresceu rápido na Guarita, tinha um molhe de pedras separando Itapeva, e ainda não existia o leash, então o evento era assistir um surfista cair e perder a prancha que vinha arrastando tudo e todos que estivessem pela frente.

O pessoal hoje não tem noção disso, exigia saber nadar bem, porque sempre voltavam nadando para a praia, não havia outro jeito, era normal cair, ninguém tinha controle daquilo e as pranchas deixavam a desejar, afinal, estavam todos aprendendo.

Este é um dos fatos que marcaram aquele início, pranchas indo parar nas famosas pedras dos molhes e quebrar, consequentemente era preciso remendá-las.

O melhor do surf sempre era na parte da manhã, e a tarde quando entrava o nordestão de verão que tornava o surf impraticável, ia todo mundo à ferragem comprar tecido, resina e cobalto, logo depois iam parar na garagem para consertar as pranchas, tudo era um programão para a gurizada, já fazia parte do preparo como um ritual.

Eles mesmos remendavam, sempre tinha o amigo habilidoso, e colocavam pigmento para o remendo não ficar feio, tinha remendo de 20/30 centímetros, igual a um tubarão mordendo aquelas pranchas. E assim os dias de verão se passavam em função do antes e depois do surf, era uma turma que surfava e iam juntos em tudo.

Outra atividade dessa turminha era preparar a parafina, eles compravam aqueles blocos, derretiam o diabo da parafina quente e depois pincelavam a prancha, e aquilo deixava uma camada que agarrava bem, até que ficava bom, mas era um crime. Só existia parafina e vela, mas vela não funcionava então, o jeito era improvisar com o que tinha.

O APOIO DAS MÃES

Torres era uma praia relativamente pequena nos anos 60, as mães eram amigas e se revezavam para cuidar e dar carona para essa gurizada, a Luiza, mãe do Alemão Caio, vinha num Jipão e levava a turma, a Érica, mãe do André, a Marília, mãe do Massa, e outras mães também participavam dessa rotina, e ninguém queria sair da praia, às vezes passavam o dia inteiro surfando, o maior limitador era o sol do meio dia, obrigava o pessoal a ir embora, mas voltavam depois das quatro, e essas mães tinham o papel fundamental de levar e trazer, foram grandes incentivadoras, e também porque elas gostavam daquele movimento todo de pegar uma prainha.

Alguns nomes da gurizada

Os irmãos Massa, Pingo e Leonel Obino, o Ziza e o Marcelo Mottin “Negão”, o Carlos, o Kito que era um pouco menor, o Claudio e o Cristiano Johannpeter, o Dado Bier que era um pouco menor, o Titino. Tem muita gente...

Legendas para as fotos

Foto: Massa na Guarita de macacão quem quem e pranchinha forrada com tecido, os dois tinham a função de proteger a barriga das assaduras

Foto: turminha em Torres – Muito pioneiras, a coragem das mães deixarem esses piazitos surfarem naquela época.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Surf virou moda!




Texto do Irencyr Beltrão ( Barriga)


"O Arpoador era referencia, lançou moda e formava opiniões.

A primeira geração de pranchas foram as "portas de igreja" .
As manobras eram dropar e cortar, os surfistas endeusados eram Jorge Americano, Gilberto Laport e Paulinho Macumba.
A segunda geração foram as madeirites de compensado naval quando já se pretendia ficar no ponto mais critico da onda e eram esboçadas algumas manobras para se manter nas paredes das ondas.
Aí se formou uma turma enorme, os que migraram da porta de igreja para madeirite, e os novos como Mucio, Ronaldo, Barriga, Paulo Salsicha, Bruno Hermani, Charuto, Galdino, Mudinho, Rico, Tito Rozemberg, Betinho, Mario Bração e o Piui, Cyro, Tuty Canud, Ronald Maisa e outros .....
Apareceram surfistas artistas como Marcos e Paulo Sergio Vale, e as surfistas mulheres, Fernanda Guerra e Maria Helena.
Nós ficavamos deslumbrados com fotos de revistas e filmes, com as pranchas de balsa e fibra, tinhamos que tentar fazê-las, o primeiro a arriscar foi Arduino.
Eu e um garoto que morava na San Romã (o Perseguição) estávamos quase que ao mesmo tempo shapeando nossas pranchas também.
Conseguimos comprar blocos de isopor mais denso,colamos longarinas de madeira com comprimento de 10 pés.
Arduino fez 2 cavaletes e montou na praia do Arpoador ao lado da antiga estação de rádio, por ser mais protegido do vento leste, ali ele foi fazendo tudo, desenhou a forma, cortou o contorno e com ralador de coco foi dando o shape da prancha.
Comprou tela de fibra de vidro, e então começaram os testes, o problema é que a resina poliester derretia o isopor.
Alguém deu a ideia, porque vcs não vão na "Bayer", eles tem resinas e poderão ajudar.
Eu e Arduino fomos muito bem atendidos e nos deram uma aula, poderíamos isolar o isopor com epoxy e depois sim fibra e poliester, e até usar qualquer tipo de fibra sem ser fibra de vidro, como algodãozinho ou canhamo.
Compramos alguns galões de epoxy e voltamos felizes.
Como a prancha do Arduino estava mais adiantada, acompanhamos na praia o desenrolar do projeto, depois de isolado foi feito o revestimento de fibra e poliester, a cada rajada de vento com areia, papel de sorvete, gravetos grudava na obra prima do Arduino.
A resina não secava, não sabiamos como fazer, imaginávamos que com o tempo secaria (sic..). Após a fixação da quilha realmente parecia uma prancha de surf (visto de longe).
Bem, era melhor deixar no sol para secar.
A minha prancha estava na sala de jantar da casa de meus pais, apenas o isopor e a lomgarina colada, não sabia ainda que contorno daria, a do Perseguição laminando mas não estava pronta ainda.
A do Arduino prontinha só que não secava e tinha varias coisas grudadas nela.
Neste ponto apareceu um gringo tentando surfar com uma madeirite emprestada, as condições não era das melhores, estava ventando um pouco de sudoeste.
O Arduino que falava bem inglês se aproximou, começaram a conversar, o cara tinha vindo do Peru, surfou lá e veio para o Brasil por Sta Cruz, Mato Grosso. Foi para o nordeste e veio descendo a costa para ver se tinha potencial de surf até chegar no Rio. Foi para Copacabana e lá viu um garoto carregando uma madeirite, ele seguiu o garoto e chegou no Arpoador.
Era o PETER TROY.
Tinhamos visto no noticiario do jornal no cinema Roxy um campeonato em Biarritz na França em que o Australiano Peter Troy tinha ganhado o campeonato.
Era ELE!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Lendas do Rio- Roberto Valério

Este mês faz 15 anos que o Valério se foi, e é um ótimo momento pra recordá-lo.
Ele era cria do Yso Amsler, que o descobriu na Urca e colocou nas ondas de Saquarema, onde conquistou o título de revelação do ALA MOANA de 1976.
o resto, foi história que ele mesmo escreveu:
vários campeonatos nacionais e internacionais, empresário de sucesso, junto com Mauro Taubman, da Company, fez a Cyclone, de surfwear, depois a Neutron, de pranchas, um cara sério.